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Impacto Global - Wrestling e MMA

Com Jorge Botas

O Real Estado da Nação

A mudança de horário do Smackdown na TVI pode gerar alguma polémica. Se para quem gosta de ver wrestling, o novo horário – depois das 2h da manhã – é um horário patético, e tendo em conta ao público a que se dirige, é basicamente o alienar dessa audiência. Por outro lado, poderá conquistar um público mais adulto... quem trabalha por turnos, ou pessoal universitário que estuda noite dentro.

Analisando as audiências de Domingo de Manhã, a TVI ganhou mais de 100 mil espectadores com esta mudança. Sim, infelizmente, parece que há pessoas mais interessada no “Bando dos 4” e no “Inspector Max” – que tem uma média de 300 mil espectadores - do que em wrestling. A verdade, é que para a TVI esta mudança foi positiva para o Domingo de manhã, porque conquistaram mais audiência. E, afinal, é esse o objectivo de uma estação de televisão.

Por outro lado, o Smackdown perdeu cerca de 80 mil espectadores, tendo em conta as audiências de Domingo passado.

O cenário em Portugal para o wrestling, seja ele da WWE, da TNA, ou dos nacionais, é negro. Negro como um buraco supermassivo, sem fim à vista.

Já há algum tempo que a popularidade do wrestling caiu. Durante meses, no boom da WWE, fomos inundados com tudo o que era produto de wrestling, incluindo algum de qualidade duvidosa mas como estava na moda, vamos lá aproveitar!

O Wrestling deixou de ser cool. A nossa blogosfera entrou em guerras patéticas do género: “o meu é melhor que o teu” ou “A tua mãe gosta é de trabalhar à noite”. Este tipo de entretenimento acabou por “afugentar” uma nova geração de fãs que não gosta de ser ofendido, ou uma geração mais antiga, que tem mulher/marido, filhos e trabalho, e tem mais com que preocupar na vida. Aliás, dêem um salto à blogosfera e vejam o que ainda existe.

Por outro lado, vieram os comentários em português – sim, eu sei que sou um dos responsáveis por isso – que, e ao que parece, ofendeu até a mais pura das virgens.
Quando começaram os comentários em português, foram emails de queixa “em catadupa” que a Sport TV recebeu, que a Eurosport recebeu, e que a TVI também recebeu. Foi engraçado perceber pessoas que, desde inicio, estiveram contra esta situação mas, assim que confrontadas com a possibilidade de integrarem potencialmente uma destas posições rapidamente passaram a ser a favor dos comentários.

Bem sei que ainda há uma margem grande de progressão da minha pessoa, no que concerne a comentários em português de wrestling. Mas, efectivamente, em Portugal quantos pessoas há com real capacidade para o fazerem?

Internet – pois é, esta coisa maravilhosa de termos tudo ao alcance de um click!

Não me vou alongar muito sobre este assunto, pois a grande maioria das pessoas que lê este blog, e outros, “saca” todos os programas de wrestling ou MMA. Com legendas ou com comentários em português, dá muito trabalho ligar a TV a certa hora e ver o programa. É mais fácil ligar o PC, deixar o programa a fazer o download à noite, e ver quando estiver com paciência. O número de pessoas que vê WWE, TNA ou UFC na televisão portuguesa é reduzido.

Reduzido ao ponto de cada vez haver menos lançamentos em DVD. Reduzido ao ponto de o “house show” de Portugal ser retirado do plano, para incluir a Turquia ou a Áustria. Reduzido ao ponto de a TVI perceber que, mal por mal, que seja às duas da manhã que alguém há-de ver até o contrato acabar.

Por isso, não deve surpreender ninguém esta estratégia da TVI.

Surpreendidos sim, devemos nós ficar, por a Sport TV continuar a apostar na WWE e TNA, em horários minimamente aceitáveis para o público a que o produto se dirige.

É fácil apontar o dedo, aliás acabei de o fazer e não tenho problemas em fazê-lo porque estou de consciência tranquila.

Mesmo trabalhando em rádio, a escrever uma coluna ao Sábado para o jornal Record, e ir fazendo uns podcasts, sempre que tento arranjar entrevistas com Superstars da WWE, lutadores da UFC, para divulgar um pouco mais as modalidades que gosto nos meios de comunicação onde trabalho, estas tentativas batem na trave, porque não há números em Portugal que justifiquem o The Miz ou o Frank Mir, falarem para Portugal.

Este é o real estado da nação, mas nós não vamos desistir de fazer algo em que acreditamos e, a brincar ou não, gostamos muito!

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